Uma homenagem ao Cleiton
Posted on 02. jun, 2009 by Dhiego Feitosa in Mercado, Notícias & Artigos
Recebi por e-mail hoje um texto de uma pessoa que trabalhava lado a lado com ele, a Márcia Pedralino, e decidi postá-lo aqui para representar o que muitos sentimos diante dessa enorme perda.
Por quê?
- Mas como um filho de flamenguista vira fluminense?
- Ah, foi minha mãe. Um dia, quando eu era pequeno, ela me levou ao estádio pra ver um jogo do Fluminense, sem ninguém saber. Ali, eu virei fluminense.
Nessa conversa, entre um ajuste e outro de um folder, fiquei sabendo como o carioca/cuiabano, virou torcedor do time arqui-inimigo do time do pai. Essa era mais uma fagulha do grande universo de histórias que formaram o caráter honesto, o temperamento tranquilo, o falar calmo, a forma obstinada, e algumas vezes, confesso, irritante de defender os pontos de vista em que acreditava.
O judoca que competia oficialmente, cartunista – segundo ele mesmo dizia – aposentado, cinéfilo que adorava acessar o Omelete, o publicitário de bom gosto, o fruto de um flamenguista e uma fluminense, teve seu universo interrompido, sua história estranhamente encerrada por uma coisa que definitivamente não combinava com sua pessoa, a violência.
Essa violência barata. Custou um notebook.
Essa violência sem hora, nem lugar. Às sete da noite em uma sorveteria.
Essa violência sem punição. Mais um criminoso reicidente.
Mais um plano desfeito. Ele ia a pra casa, mais tarde.
Mais uma perda. Sua mãe e seu pai estão órfãos de um filho que foi acalentado, que eles com muito orgulho ensinaram a andar, a falar, a ser honesto, a ser amigo.
Seus amigos e colegas ficaram perplexos, com medo e assim, se perguntando por quê? Quem vai saber dizer? Porque ainda não mataram jovens suficientes? Porque a violência ainda não atingiu o cúmulo suficiente para darmos um basta? Porque ela ainda não chegou perto suficiente de todas as pessoas que precisam se mobilizar e exigir dos seus eleitos ações mais concretas do que as promessas?
Bela sede da copa esse Mato Grosso. Bela sede da copa esse Brasil. Imaginem quanto orgulho sentiremos do país do futebol, do país do carnaval, do país da desigualdade social, do país da impunidade, do país do desrespeito aos direitos humanos.
Imaginem só, quantas belas notícias de assassinatos de torcedores, brasileiros e turistas teremos no evento? Eu já sei que serão muitas. Porque já sei, infelizmente, que nesse país a vida não está em primeiro lugar.
Vi aqui Um ponto de saudade



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