Qual o preço de um viral?
Posted on 12. jun, 2009 by Dhiego Feitosa in Mercado, Notícias & Artigos, Web
Essa semana estréia uma coluna nova no PropagandaMT, ou PMT para os íntimos, onde o Fred Fagundes do blog Quem Matou a Tangerina, vai contar as peripécias de um jornalista trabalhando em uma agência de publicidade com uma área que ainda está engatinhando na propaganda, à de novas mídias…
- Alou…
- Boa tarde, eu quero tirar uma dúvida.
- Boa tarde. Pois não.
- Quanto custa um viral?
- Er… Um Viral?
- É. Um viralzinho da minha empresa. Quanto sai?
- Senhora, nesse caso teríamos que entender sua meta com a campanha, a proposta da sua empres…
- Calma. Eu vou ser sincera. Eu to fazendo uma pesquisa de preço somente. Um preço, quero o valor de um viral. Procura aí e me manda por fax, ok?
O dialogo acima ocorreu há alguns dias numa agência de publicidade de Cuiabá (MT). O atendimento, sem saber o que fazer, apelou para o departamento de mídias sociais, diretor de arte e até para a direção. A cegueira de alguns clientes reflete o despreparo do mercado regional quando tratamos de mídias digitais e o trabalho nas redes sociais. Todo mundo diz que faz, mas – quase – ninguém sabe como.
A conhecida prepotência do nosso mercado, como não podia ser diferente, influencia essa crise de conhecimento. Por se tratar de uma maneira relativamente nova, os ditos especialistas não passam de palpiteiros. E as manjadas promessas de “maior identificação com o cliente” e “rápido retorno através de baixo investimento” não passam de lero-lero. O despreparo justifica a falta de conhecimento da senhora do outro lado da linha.
Uma agência não deve, jamais, prometer uma ação viral. Ele não é encomendado como um VT ou Jingle. Atrás da viralização de uma campanha existe o apoio incondicional de uma serie de ferramentas que a sustentam. Na web, lançamos a semente do vírus e, de forma inteligente, encorajamos que seja passada adiante.
Essa falta de tato gera a “criação de filmes com características virais” – seja lá o que for isso. Alguém colocou na cabeça que, para ser viral, precisa ter ares de amador, qualidade de imagem sofrível e câmera subjetiva. E aí a premiada agência se gaba por estar entrando no mundo das novas mídias produzindo um filme de celular em que a marca do seu cliente aparece com qualidade horrível e destorcida.
Quando não sabe, não faz. Iludir o cliente dizendo “viral é isso mesmo, a molecada adora esse tipo de coisa” é prostituir todo um mercado. Enquanto as agências não se profissionalizarem, respeitarem e entenderem as novas ferramentas menos empresas buscarão investir nas mídias digitais.
Falta capacitação no mercado mato-grossense. Estamos estagnados na publicidade 1.0 do inicio do século. O consumidor mudou. As formas de atingi-lo, idem. Ao invés de reclamar da falta de atitude e coragem do cliente o publicitário precisa, além de crescer, admitir que está despreparado. E, claro, aprender.
Busque o desconhecido. Ou atenda a próxima ligação.
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