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Sua agência costuma recusar clientes?

por PropagandaMT / publicado em 16 junho 2010

Quando li post no CHMKT com esse título, não resisti e postei ele aqui no PMT.

A matéria cita uma estudo do Mário D’Alcântara, que está na Europa. Lá visitou as agências mais inovadoras da Inglaterra e da França para entender seus modelos de negócio. A primeira parada, de cara, foi a fodástica Mother. Confira:

“No princípio, apenas os sócios. Muito know-how em propaganda. De gente vinda de grandes agências. Uma agência sem nome, sem registro, sem endereço. E um cliente de milhões de libras. Louco para entregar sua conta àqueles caras recheados de talento. Pelo telefone, informam ao cliente o nome, tirado da pura maluquice criativa: Mother.

-Não pode ser, reclama o futuro cliente. Como é que eu vou apresentar ao board de diretores e acionistas uma agência que vai gerenciar milhões de libras em comunicação e que se chama Mother?

-Tem de ser Mother!

E assim nasceu uma das mais talentosas agências de propaganda do mundo, que tem como base em três princípios fundamentais dos quais jamais se desviaram:

• Prazer em fazer o trabalho;

• Sempre realizar algo excepcional;

• Nunca deixar de ganhar dinheiro.

Desta forma, Alex West, diretor da Mother e um dos principais sócios explica os três princípios:

1. Para ter prazer em fazer o trabalho é preciso que a gente tenha uma grande ideia, fundamentalmente uma grande tirada estratégica que nos entusiasme, que nos divirta enquanto trabalhamos. Para isso, temos de ter total liberdade criativa. Um cliente global, com uma conta de milhões e milhões chamou a Mother para entregar-lhe a conta. Mas o cliente (Channel # 5) impunha certas regras sobre remuneração. Nossa resposta foi não. Não queremos trabalhar para a conta desta forma. E o cliente insistiu. Queriam trabalhar com a Mother, estavam precisando de reposicionar a marca e a agência mais indicada para fazer o trabalho era a Mother. A resposta foi direta: ou o cliente aceitava as condições da Mother ou o pessoal da agência sairia daquela reunião e não voltariam para discutir o trabalho. O cliente titubeou, hesitou, voltou atrás e a agência ganhou a conta.

Essa é a única forma de se ter prazer no que se está fazendo. Logicamente há muito respeito mútuo. Acontece de um cliente contestar uma linha criativa e a Mother concordar com o cliente. Porque tem de haver uma química especial entre a marca, o anunciante e a agência. O processo de seleção é rigoroso. Tanto da parte do cliente como da agência. Tem de existir esse contexto, o único que permite o prazer de trabalhar em propaganda. Mas também é preciso entender que a última palavra em solução integrada de comunicação de marketing pertence à agência.

2. O objetivo é trabalhar a marca. Transformar cada uma das ações de comunicação em algo notável. Só se pode tirar o consumidor da letargia se for possível criar aquilo que Seth Godin chama de “Vaca Roxa” em seu livro de mesmo nome ( Purple Cow). Uma vaca roxa é totalmente diferente de todas as outras vacas. Um trabalho extraordinário faz com que a marca se destaque no meio de todas as marcas concorrentes. Dá à marca o principal ingrediente para seu sucesso no mercado que é a notabilidade. Um dos mais importantes critérios de escolha ou aceitação de clientes para a Mother é a possibilidade de fazer um trabalho que gere, no mercado, empatia pela marca. Sempre graças a esforços integrados de comunicação. Ou seja, na Mother não há online e off-line. O mundo analógico e o mundo digital convivem simultaneamente, já que o objetivo é o foco nos resultados para a marca.

A Mother não possui aquela modernosa separação entre off-line e “departamento Web” como há em muitas das agências brasileiras. E aí eu descubro que Alex West concorda comigo quando diz que o termo digital faz parte do passado da comunicação, em um mundo onde ambas as realidades já convivem harmonicamente na esfera da comunicação. Cada profissional da Mother tem de conviver com todas as modernas tecnologias à disposição da propaganda. Da mesma forma como design, merchandising, relações públicas, embalagem, eventos são meros enfoques ou formas de abordagem de uma solução única de propaganda.

3. Nunca deixar de ganhar dinheiro. Por que a propaganda é uma profissão. Complexa, fundamental para o funcionamento do mercado, um dos mais importantes mecanismos impulsores da economia de mercado. Logo, tem de ser justa e adequadamente remunerada. A função do dinheiro é apenas gerar a permanente manutenção da máquina. Mas não é o objetivo primordial. Há marcas que podem resultar em ganhos financeiros mais reduzidos mas que propiciam um trabalho fenomenal potencializado pela elevação do “moral da tropa”. E que permite a diversão com o trabalho e impulsiona o nível hormonal criativo de toda a turma da agência.”

Ai eu faço a pergunta do post acima, sua agência costuma recusar clientes?

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