Um descendente de alemães numa cantina italiana cantando Ivete Sangalo para um grupo de acadêmicos sergipanos bêbados. Meninos, eu vi. E descobri que o Festival Mundial de Publicidade de Gramado é um Conecades com grife. Muita gente, muita bagunça, muito vinho, muitas fotos, pouca informação.
Já na terça-feira começaram a surgir no horizonte de BR 116 os primeiros ônibus. E é impressionante como o estudante de publicidade é um sujeito alienado – sem generalizar, por favor. É um desespero para conhecer os restaurantes da moda, uma incrível necessidade de visitar os principais pontos turísticos num só dia e, claro, a mais pertinente das preocupações: onde vai ser a baladinha depois das palestras?
Balada. Esse é o termo adolescente mais ridículo já inventado. Não, não. Perde ainda pra esquenta. Mas isso é tema para outro post.
Festival, vamos lá.
A abertura solene começou pouco depois das 19h com a apresentação de Tulio Milman. O primeiro discurso, e com certeza mais emocionante da noite, foi do Airton Rocha, Presidente do Sindicato das Agências de Publicidade do Rio Grande do Sul. Ele rasgou o verbo como frases de impacto do estilo “a objetividade e prepotência do varejo inquieta a arte”; “a publicidade dispõe de mais verba do que o ensino publico. Vamos fazer valer essa força” e “cada um de nós traça o mapa de sua ousadia. Não sejam, estudante, publicitários comuns. Ousem”.
Na seqüência o Presidente do Festival Mundial de Publicidade, Alexandre Skowronsky, homenageou quatro profissionais com a já almejada medalha Mauricio Sirotsky Sobrinho. O publicitário William Bonner, no telão, agradeceu direto do estúdio do Jornal Nacional. José Gallo, diretor-presidente das lojas Renners, e Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul, também subiram ao palco. Por ultimo, recepcionado como um verdadeiro pop star, Washington Olivetto recebeu a medalha e iniciou sua palestra.
O diretor de criação da W/Brasil ficou pouco mais de uma hora frente ao púlpito. Sua palestra, como de praxe, foi tudo aquilo que já vimos na faculdade: vídeos. Olivetto exibiu uma série de cases, desde o Primeiro Sutiã até o Idéias Bizarras. Falou pouco sobre tendências de criação e novas mídias. Para defender a opinião que uma campanha deve ser criada com o intuito de tornar-se um patrimônio cultural Olivetto lembrou… Olivetto. Mostrou parodias de seus filmes, elogios do presidente Lula e como ele inspirou a atual publicidade argentina.
E só. A palestra, para muitos, foi rápida e decepcionante. E talvez tenha sido. Entre todo aquele “eusoufodismo” de Olivetto, firmaram-se aquelas antigas certezas: Gênio. E nunca seremos ele.
Pelo menos depois teve baladinha. Uhúl.
Foto: Marina Barato.
Via: Frederico Fagundes.
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