Mais será que tudo são R$100,00 ou R$500,00 a mais no começo do mês? Só dinheiro ou existe outra razão que os profissionais levam em conta na hora de migrar?
Neste post você lê duas opiniões distintas: uma de um profissional que atua na direção de arte e outra de um gerente de uma agência conceituada, que está em busca de profissionais.
Conversando com um amigo de outra agência no MSN (com passagem por 4 empresas), ele dá sua opinião.
“Nem tudo é o pote de ouro no fim do abismo, temos agências que são marcadas como “dificieis de trabalhar”, existe até a brincadeira de que ganha-se verdinhas e entrega a alma. Por outro lado podemos levar em consideração que, as agências dadas como pequenas, de climas “susus”, deixam o profissional mais estagnado e este não cresce tanto profissionalmente. Acho que nessa balança todos ainda querem ser reconhecidos, que seja pelo dinheiro, que queima no mundo pra faze-lo girar. Afinal estar em um lugar bom e sem dinheiro é complicado, estar no lugar ruim e sem dinheiro é loucura. Ao menos sobra estar no lugar ruim, mas ao menos com o dinheiro”. Opinião de Fernando Amaral, Direção de arte na Idéias.com.
Fiz o mesmo questionamento para alguém mais envolvido com gerência e tomada de decisões dentro de uma agência e abaixo estão suas palavras.
“Você é o que merece. Então, faça por merecer.
Acho que cada profissional sabe – ou deveria saber – seu valor de mercado que, na minha visão, é composto de duas coisas: primeiro, a responsabilidade e comprometimento com o seu trabalho e, em segundo lugar, sua capacidade técnica publicitária de realizar seu trabalho. Acho que, antes de correr atrás de R$ 100 ou R$ 500 a mais no começo do mês, cada um deve avaliar estas duas coisas, tanto pra mudar de agência quanto pra pedir aumento.
Vejo que tem muita gente que reclama da má remuneração do mercado mas que se esconde numa equipe de 10, 15 pessoas de um departamento de criação. Então, a pergunta se inverte: se eu sou tão bom assim, por que meu trabalho não se destaca dos demais? Se eu sou tão bom assim, por que não encaro uma equipe menor (onde se tem muito mais oportunidades de se mostrar o que sabe fazer) ou uma agência que está começando? Se eu sou tão bom assim, o que está faltando para eu ser melhor remunerado? Eu sou apenas mais um na equipe ou faço a diferença? Se eu sair da agência onde estou, consigo manter minha “genialidade”?
Quer um exemplo? Eu, pelo menos, não vi ninguém que reclama de grana procurar uma agência e propor: ”-Vamos fazer um teste. Me paga o que eu recebo hoje e, em 3 meses eu te provo que posso receber o que eu quero.”
Eu fiz uma escolha que deu certo: depois da enorme oportunidade que tive na RKF, a primeira agência que trabalhei, preferi entrar em agências “menores”, recém-nascidas, tanto com desafio pessoal de crescimento como vislumbrando maior possibilidade de destaque para o meu trabalho. Se tivesse numa agência grande, teria o mesmo sucesso profissional que tenho hoje? Não sei. Só sei que deu certo.
Outra coisa que acontece é que existe apenas a comparação salarial entre o que um profissional ganha numa agência e o que ganharia em outra. E se esquece, por exemplo, do ambiente de trabalho, do esquema de trabalho, etc, além de deixar-se de analisar, por exemplo, o que a agência pode oferecer pra você a médio e longo prazo. Talvez por isso haja tanta rotatividade de profissionais em nosso mercado.
Então, na minha opinião, se você quer ganhar mais, é muito simples:
- Antes de pedir valorização, mostre que tem valor. Todo mundo quer grana, mas quase ninguém quer trabalhar pra isso.
- Abra a boca se você não está satisfeito. Todo patrão, em qualquer empresa do mundo, “finge de morto”. Se você quer aumento, peça e mostre porque você merece – de preferência, estabelecendo metas para ambas as partes para chegar ao aumento que você quer;
- Saiba como pedir aumento. Se você realmente gosta de onde trabalha, verifique como e quando é possível ganhar o que você quer. A pior coisa é você dizer no começo de uma conversa é “fulano está me oferecendo tanto. Você cobre ou não?”. Além de ser taxado de mercenário, você vai fechar uma porta.
- Antes de procurar uma agência que pague mais, verifique se você não terá que trabalhar o triplo pra ganhar “seu aumento de “R$ 500”.
- Quanto mais confiança, maior a remuneração. Assumir responsabilidades maiores ajuda a te valorizar. Fazer mais do que você precisa, chama a atenção do dono da agência.
- Assim como publicitários, tem médico, engenheiro, advogado, enfermeiro em começo de carreira ganhando mixaria. Só ganha começa a ganhar bem quem ganha mais experiência e se destaca.
- Dê tempo pra criar raiz num lugar, pelo menos até os frutos começarem a aparecer.
E acredito que a média aqui é muito boa. Ta em dúvida? Pergunte pra quem trabalha em Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte e até São Paulo. E, nestes últimos anos, nosso mercado já fez um upgrade automático na remuneração em função do grande número de agências que abriram e cresceram (ZF, Mercatto, Invent, Idéias.com, Soul, entre outras). Maior procura, melhor remuneração.
Mas trabalho em agência é igual casamento. Você tem que ceder em algumas coisas para os dois ganharem juntos, o que leva um tempo. E nunca vi um casamento que durasse muito tempo apenas por causa de grana. Pense nisso. Ou mude de ramo.” Opinião de Frederico Parma, Gerente da ZF Comunicação.
Como você pôde perceber são opiniões diferentes, dos dois lados da moeda. E agora que você leu tudo, deixe sua opinião a respeito desse tópico. É assim que ajudamos nosso mercado crescer: discutindo, detectando qualidades, defeitos e propondo melhorias. Dá uma boa discussão. Participe!
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